Uma mulher de 36 anos conversou por vários dias com um homem que conheceu em um aplicativo de relacionamento. A conversa migrou para o WhatsApp e, pouco tempo depois, ele passou a insistir em fazer videochamadas sem combinar previamente. Ao pesquisar o perfil com mais atenção, ela percebeu que as fotos pertenciam a outra pessoa e bloqueou o contato antes de atender às chamadas.
O caso ilustra um tipo de golpe que vem preocupando cada vez mais, o uso de rosto e voz das vítimas para tentativas de fraude. Embora o episódio tenha ocorrido em um app de relacionamento, esse tipo de abordagem não se limita a essas plataformas. Portanto, entender como o golpe funciona ajuda a reconhecê-lo em diferentes contextos do dia a dia digital.
O que é o golpe da biometria e como ele funciona
De forma geral, o golpe da biometria consiste em capturar imagens do rosto e gravações de voz de uma pessoa para, posteriormente, tentar utilizá-las em fraudes. Isso pode acontecer durante uma videochamada, em uma ligação telefônica ou até por meio de vídeos publicados nas redes sociais.
Rosto e voz como matéria-prima para fraudes
Durante uma conversa por vídeo, por exemplo, o criminoso pode gravar diferentes ângulos do rosto, expressões e movimentos, além da voz da vítima. Imagens frontais ajudam a reproduzir características faciais, enquanto mudanças de iluminação e ângulo ampliam o material disponível. Além disso, gestos como piscar, sorrir ou virar a cabeça podem coincidir com ações solicitadas por alguns sistemas de verificação de identidade, o que torna esse material ainda mais útil para quem pretende aplicar um golpe.
Deepfakes e clonagem de voz
Por outro lado, o material coletado pode ser usado de outras formas. A gravação da voz, por exemplo, pode servir de base para uma clonagem, enquanto diferentes imagens do rosto podem contribuir para a produção de um deepfake. Esses recursos, cada vez mais acessíveis, podem ser empregados para tentar enganar familiares, colegas de trabalho ou até funcionários de instituições, fazendo-os acreditar que estão se comunicando com a própria vítima.
Onde esse golpe aparece além dos apps de relacionamento
Embora o exemplo mais recente tenha surgido em um aplicativo de namoro, esse tipo de abordagem também aparece em outros ambientes digitais.
Ligações e videochamadas falsas se passando por instituições
Criminosos podem entrar em contato se passando por representantes de bancos, operadoras de telefonia ou órgãos públicos, solicitando confirmação de identidade por vídeo ou pedindo que a vítima repita frases específicas. Assim, o objetivo é o mesmo: reunir material de rosto e voz para tentativas futuras de fraude.
Redes sociais e aplicativos de mensagens
Vídeos publicados publicamente também podem ser coletados e reutilizados sem autorização. Por isso, mesmo fora de uma conversa direta, imagens e áudios compartilhados em redes sociais podem se tornar matéria-prima para golpistas.
Tentativas de burlar o reconhecimento facial em contas bancárias
Como esse tipo de dado pode ser usado para tentar abrir contas ou assumir o controle de contas já existentes, especialmente quando a instituição utiliza selfies como mecanismo de autenticação ou recuperação de acesso. Ainda assim, o sucesso dessa tentativa depende diretamente dos mecanismos de segurança adotados por cada sistema, já que soluções mais robustas costumam verificar se há, de fato, uma pessoa presente no momento da checagem.
Perfis verificados não garantem identidade real
Vale destacar que selos de verificação, comuns em vários aplicativos, nem sempre significam que os dados apresentados pelo usuário são reais. Em muitos casos, a checagem apenas confirma que a selfie enviada corresponde às fotos publicadas no perfil, sem validar nome, idade ou intenções da pessoa por trás da conta.
Outros golpes que também exploram dados pessoais em ambientes digitais
Além da captura de biometria, existem outras fraudes que costumam circular nos mesmos ambientes digitais e que merecem atenção.
Golpe do amor
Conhecido também como romance scam, esse golpe consiste em criar vínculos afetivos falsos para, em seguida, solicitar dinheiro sob justificativas como emergências familiares ou supostas oportunidades de negócio. Normalmente, o criminoso demonstra pressa em aprofundar a relação e evita responder perguntas mais diretas sobre sua própria vida.
Phishing e links falsos
Nesse caso, o golpista envia mensagens ou links que parecem legítimos, mas que têm como objetivo roubar senhas, dados pessoais ou números de cartão. Além disso, é possível aplicar esse golpe sem sequer manter uma conversa prolongada, já que alguns dados podem ser obtidos apenas a partir das informações públicas de um perfil.
Golpes de investimento em criptomoedas
Combinando romance e falsas oportunidades financeiras, esse tipo de fraude convence a vítima a investir em plataformas fraudulentas de criptomoedas. Em seguida, os criminosos costumam alegar que a conta foi invadida, cobrando novos valores para viabilizar supostos saques.
Perfis falsos criados com inteligência artificial
Por fim, ferramentas de inteligência artificial vêm sendo usadas para gerar perfis falsos de forma mais rápida e convincente, incluindo fotos, textos de apresentação e, em alguns casos, respostas automáticas que simulam uma conversa real.
Sinais de alerta para identificar uma abordagem suspeita
Alguns comportamentos merecem atenção redobrada durante as interações online. Entre eles, estão pedidos incomuns durante uma videochamada, como aproximar o rosto da câmera, retirar óculos ou buscar uma iluminação mais forte sem justificativa aparente. Da mesma forma, pressa excessiva para marcar um encontro presencial, insistência em migrar a conversa para outro aplicativo e relutância em responder perguntas espontâneas também costumam ser indícios relevantes.
Além disso, perfis com poucas informações, versões contraditórias sobre a própria história e tentativas de criar intimidade rapidamente costumam acompanhar esse tipo de abordagem.

Como se proteger e o que fazer em caso de golpe
Antes de tudo, é recomendável evitar o envio de documentos, códigos de autenticação ou valores financeiros, mesmo diante de ameaças. Ao mesmo tempo, permanecer nos recursos oferecidos pelo próprio aplicativo durante as primeiras interações ajuda a reduzir a exposição de dados de contato, como número de telefone.
Caso haja suspeita de que informações pessoais foram capturadas, o primeiro passo é interromper o contato. Em seguida, é importante preservar registros da abordagem, como capturas de tela do perfil, nome de usuário, datas e horários das chamadas, além de eventuais ameaças ou comprovantes de pagamento.
Por fim, denúncias podem ser registradas tanto na própria plataforma quanto por meio de boletim de ocorrência, presencial ou pela internet. Se você está passando por uma situação como essa e precisa de orientação jurídica, entre em contato com o Dr. Jonatas Lucena.
📞 Telefone: (11) 2365-9212
📧 E-mail: jonatas@drjonatas.com.br
🌐 Site: www.drjonatas.com.br





