Descobrir que alguém contratou um empréstimo no seu nome sem a sua autorização é uma das situações mais angustiantes que uma pessoa pode enfrentar. Você recebe uma cobrança, ou pior, uma notificação de inadimplência e não tem a menor ideia de como aquela dívida surgiu. Infelizmente, esse tipo de fraude bancária cresceu de forma alarmante no Brasil: segundo o Serasa, as tentativas de fraude de crédito aumentaram mais de 18% em 2023, atingindo um novo recorde histórico.
A boa notícia é que você não está sozinho e existem caminhos legais para reverter essa situação. Neste artigo, você vai entender o que caracteriza esse crime, como agir imediatamente para se proteger, e quem pode ser responsabilizado tanto o fraudador quanto, em muitos casos, a própria instituição financeira que liberou o crédito sem verificar adequadamente sua identidade.
O Que É a Contratação Fraudulenta de Empréstimo em Nome de Terceiro
Quando um empréstimo é aberto em seu nome sem o seu consentimento, estamos diante de um crime tipificado no ordenamento jurídico brasileiro. O ato pode se enquadrar em diferentes dispositivos legais, dependendo da forma como foi executado:
- Estelionato (Art. 171 do Código Penal): O fraudador se passa por você para obter vantagem financeira ilícita. A pena pode chegar a 5 anos de reclusão, agravada quando o crime é praticado contra instituição financeira ou mediante uso de meios eletrônicos.
- Falsidade Ideológica (Art. 299 do CP): Quando documentos ou dados pessoais são adulterados para simular a sua identidade.
- Lei 14.155/2021 (Lei dos Crimes Digitais): Agrava as penas para fraudes cometidas por meio eletrônico, como uso indevido de dados cadastrais, senhas e documentos digitais.
- Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD Lei 13.709/2018): Caso seus dados pessoais tenham sido utilizados sem consentimento, a instituição que os processou irregularmente também pode ser responsabilizada.
- Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014): Regula o uso de dados em ambiente digital, sendo relevante quando a fraude envolve credenciais eletrônicas.
Além da responsabilidade criminal do fraudador, há também a responsabilidade civil da instituição financeira um ponto extremamente importante que veremos adiante.
Como Essa Fraude Acontece na Prática
Compreender o mecanismo do crime ajuda a agir com mais precisão. As modalidades mais comuns incluem:
Roubo e Uso Indevido de Dados Cadastrais
Criminosos obtêm seus dados CPF, RG, comprovante de renda e endereço por meio de vazamentos de dados, compra de informações em mercados ilegais na dark web, ou por engenharia social (ligações e mensagens falsas que induzem a vítima a fornecer os próprios dados).
Clonagem de Documentos e Identidade
Com documentos falsificados ou adulterados digitalmente, o golpista simula ser você em agências bancárias ou plataformas digitais de crédito. O avanço das fintechs e dos processos de concessão de crédito 100% online facilitou esse tipo de fraude, pois as verificações nem sempre são suficientemente rigorosas.
Fraude de “Laranja” com Procuração Falsa
Em casos mais elaborados, os criminosos fabricam procurações falsas para agir em nome da vítima, obtendo crédito junto a cooperativas, financeiras e bancos tradicionais.
Novas Modalidades: Deepfake e Biometria Falsificada
Um alerta importante: fraudes utilizando deepfake vídeos e imagens sintéticas já estão sendo usadas para burlar sistemas de validação biométrica em instituições financeiras. Essa é uma tendência crescente e extremamente preocupante no ambiente digital.

O Que Fazer Imediatamente Se Abriram um Empréstimo no Seu Nome
A velocidade da sua reação pode fazer toda a diferença. Siga este passo a passo:
1. Reúna todas as evidências disponíveis Salve prints, e-mails, SMS e qualquer comunicação relacionada ao empréstimo. Anote o nome da instituição financeira, o número do contrato (se tiver acesso) e os valores envolvidos.
2. Registre um Boletim de Ocorrência (B.O.) Vá à delegacia de polícia mais próxima ou, na maioria dos estados, utilize o sistema online da Polícia Civil. Em São Paulo, o B.O. pode ser feito pelo site www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br. O B.O. é um documento essencial para todas as etapas seguintes.
3. Entre em contato com a instituição financeira Comunique formalmente de preferência por escrito (e-mail ou carta com aviso de recebimento) que o contrato foi celebrado de forma fraudulenta e que você não reconhece a operação. Solicite o cancelamento imediato e a exclusão de qualquer registro negativo.
4. Conteste junto aos órgãos de proteção ao crédito Se seu nome foi negativado (Serasa, SPC/BOA VISTA), protocole uma contestação imediata. Você tem o direito de exigir a suspensão do apontamento enquanto a fraude é investigada.
5. Faça um alerta de fraude no seu CPF Acesse o portal gov.br e registre um alerta de fraude no seu CPF junto à Receita Federal. Isso sinaliza às instituições que seu documento pode ter sido comprometido.
6. Monitore seus dados em outros serviços Verifique se há outros contratos ou cadastros abertos no seu nome. Consulte o Registrato (Banco Central do Brasil) para visualizar todos os relacionamentos financeiros vinculados ao seu CPF.
7. Consulte um advogado especialista em fraudes bancárias Essa etapa não deve ser deixada para o final. Um advogado especializado pode atuar em todas as frentes criminal, civil e administrativa de forma simultânea, acelerando a resolução do caso.
O Que NÃO Fazer
- ❌ Não pague nenhuma parcela do empréstimo fraudulento isso pode ser interpretado como reconhecimento da dívida.
- ❌ Não negocie diretamente com o banco sem orientação jurídica.
- ❌ Não ignore cobranças ou notificações: prazos legais correm independentemente da sua ciência do problema.
- ❌ Não exclua mensagens, e-mails ou registros relacionados à fraude são provas fundamentais.
Quem Pode Ser Responsabilizado: Fraudador e Banco
Aqui está um ponto que muitas vítimas desconhecem: a instituição financeira também pode ser responsabilizada pela fraude, mesmo que ela própria tenha sido enganada.
Responsabilidade do Fraudador
O criminoso responde criminalmente pelos crimes já mencionados estelionato, falsidade ideológica e crimes digitais além de ser civilmente responsável pelos danos materiais e morais causados à vítima.
Responsabilidade da Instituição Financeira
O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990), em seu artigo 14, estabelece a responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços por danos causados ao consumidor, independentemente de culpa. Isso significa que, ao conceder crédito sem verificar adequadamente a identidade do tomador, o banco responde pelos danos que você sofreu.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência consolidada no sentido de que a instituição financeira tem o dever de segurança na concessão de crédito. Falhas nesse processo geram obrigação de indenizar, abrangendo:
- Danos materiais (valores cobrados indevidamente, custos de cancelamento, etc.)
- Danos morais (negativação indevida, abalo de crédito, constrangimentos)
- Obrigação de cancelar o contrato fraudulento e suprimir negativações
Em muitos casos, a ação judicial é movida exclusivamente contra o banco, que é o elo mais facilmente identificável e com maior capacidade de reparação. Não é necessário localizar o fraudador para obter a indenização.
Quando e Por Que Contratar um Advogado Especialista em Direito Digital e Fraudes Bancárias
Embora as primeiras medidas possam ser tomadas por você mesmo, a complexidade jurídica desse tipo de fraude exige orientação profissional especializada.
Um advogado experiente em Direito Digital e Fraudes Bancárias vai:
- Estruturar a estratégia adequada para cada frente (criminal, cível e junto ao Banco Central);
- Reunir e preservar provas digitais com valor probatório reconhecido;
- Ingressar com ação judicial contra a instituição financeira para cancelamento do contrato e indenização por danos morais e materiais;
- Requerer medidas liminares (urgentes) para suspender imediatamente negativações indevidas;
- Acompanhar o inquérito policial para garantir que a investigação criminal avance.
O Dr. Jonatas Lucena, advogado especialista em Direito Digital com mais de 20 anos de atuação e escritório na Av. Paulista, São Paulo/SP, tem histórico consolidado em casos de fraudes bancárias, crimes cibernéticos e proteção de vítimas de estelionato digital. Já atuou em casos com repercussão nacional, sendo entrevistado por veículos como Al Jazeera, The Guardian, Rede Globo e Record Internacional.
O atendimento pode ser realizado de forma presencial ou totalmente online, facilitando o acesso independentemente de onde você esteja no Brasil.

Perguntas Frequentes (FAQ)
O banco é obrigado a cancelar o empréstimo fraudulento feito no meu nome? Sim. Ao ser comunicado formalmente da fraude e apresentado o Boletim de Ocorrência, o banco tem obrigação de investigar e, confirmada a irregularidade, cancelar o contrato e remover qualquer registro negativo. Caso não o faça voluntariamente, a Justiça pode ser acionada para obrigá-lo, geralmente por meio de ação cominatória combinada com pedido de indenização por danos morais.
Posso processar o banco por empréstimo no meu nome sem minha autorização? Sim. Com base no Código de Defesa do Consumidor e na responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, você pode ingressar com ação judicial contra a instituição financeira exigindo cancelamento do contrato, exclusão de negativações e indenização por danos morais e materiais. Muitos casos são julgados procedentes pelos Tribunais brasileiros, com indenizações que variam conforme a gravidade dos danos sofridos.
Quanto tempo tenho para agir após descobrir o empréstimo fraudulento? Para ações de reparação civil contra a instituição financeira, o prazo prescricional geral é de 5 anos (Código Civil, art. 206-A). Para crimes como estelionato, o prazo varia conforme a pena máxima prevista. No entanto, agir rapidamente é fundamental: quanto antes você registrar o B.O. e notificar o banco, menores os prejuízos e mais fácil a produção de provas.
Meu nome foi negativado pelo empréstimo fraudulento. Como tirar meu nome do Serasa? Você deve contestar o apontamento diretamente junto ao Serasa e ao SPC, apresentando o Boletim de Ocorrência e a notificação enviada ao banco. Em paralelo, seu advogado pode requerer judicialmente a tutela de urgência para suspensão imediata da negativação enquanto o mérito é analisado. Esse tipo de pedido costuma ser deferido com rapidez pelos juízes, especialmente quando há prova documental da fraude.
O que é o Registrato e como ele me ajuda nessa situação? O Registrato é um sistema gratuito do Banco Central do Brasil que permite consultar todos os relacionamentos financeiros vinculados ao seu CPF como contas bancárias, chaves Pix e operações de crédito. Ao acessá-lo (disponível em gov.br), você pode identificar rapidamente se há outros contratos fraudulentos além do empréstimo já descoberto, o que é essencial para dimensionar a extensão do problema.
Conclusão
Ter um empréstimo aberto em seu nome sem autorização é uma violação grave dos seus direitos e a lei brasileira oferece instrumentos efetivos para combatê-la. O caminho é agir com rapidez: registre o B.O., notifique o banco por escrito, conteste a negativação e, sobretudo, procure orientação jurídica especializada.
Você não precisa enfrentar isso sozinho. O Dr. Jonatas Lucena e sua equipe estão prontos para analisar o seu caso, orientar cada passo da sua defesa e garantir que seus direitos sejam respeitados seja de forma presencial em São Paulo ou por atendimento online.
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